A ORIGEM CARISMÁTICA
O Carmelo teresiano nasce de uma graça mística.
Os "danos" que se produzem na Igreja ferem fortemente seu espírito e incide na formação do seu ideal de vida. Crava-se a Igreja no coração de Teresa, para sempre!
A Igreja – sua Igreja – se desmorona. É rompida sua unidade e se multiplicam as profanações da Eucaristia e do sacerdócio.
Retirando-se a uma ermida, Teresa desabafa sua pena. Ora, e suplica a salvação das almas, pede meios para impedir que o Santíssimo Sacramento seja retirado dos sacrários, destruídas as igrejas, perdidos tantos consagrados. "Tendo o Senhor tantos inimigos e tão poucos amigos, toda a minha ânsia era, e ainda é, que ao menos estes fossem bons."
Meios:
Fidelidade ao próprio compromisso vocacional. Toma a decisão de viver mais profundamente sua vocação de carmelita. Desta vez, acompanhada de suas monjas: "Determinei-me então a fazer este pouquinho a meu alcance que é seguir os conselhos evangélicos com toda perfeição possível e procurar que estas poucas irmãs aqui fizessem o mesmo."
Concretamente: "Todas ocupadas em oração". Presença total ao Senhor: "Os olhos em vosso Esposo". Só contam: "Sua glória e o bem da Igreja". Faltar neste ponto é faltar com a própria vocação.
Santa Teresa abre horizontes ao valor apostólico e eclesial da oração, da vida contemplativa: "Estando enclausuradas pelejamos por Ele".
Na Igreja, Teresa concentra sua atenção – nos "pregadores e letrados", pois são eles os que devem ajudar os fracos e animar os pequenos – e nos sacerdotes para que estejam fortalecidos com ciência e vida santa.
Diante desta urgência – pois "o mundo está pegando fogo, querem novamente sentenciar a Cristo... pretendem lançar por terra a sua Igreja – deve desaparecer todo outro "negócio".
"Ó minhas irmãs em Cristo! Ajudai-me a suplicar isto ao Senhor, já que para este fim vos reuniu aqui. Esta é a vossa vocação. Estes hão de ser vossos negócios. Estes vossos desejos, disciplinas e jejuns se não se empregarem no que deixei indicado, ficai certas de que não realizais nem cumpris o fim para o qual o Senhor vos reuniu."

Teresa de Jesus
"Mãe dos espirituais"
Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila aos 28 de março de 1515. O seu grande "desejo de ver a Deus" leva Tersa a realizar uma fuga com seu irmão para a terra dos mouros, procurando o martírio. Tinha sete anos...
Aos 20 anos foge da casa paterna para o Mosteiro das Carmelitas. Aos 47 anos, em 1562, deixa sua comunidade para dar vida ao primeiro Carmelo Descalço. No dia 24 de agosto deste mesmo ano, os sinos do Carmelo de São José em Ávila repicam festivos anunciando um novo mosteiro e mais um sacrário.
Ao longo de 20 anos fundou 19 mosteiros de monjas e 13 de frades carmelitas descalços.
Morreu em Alba de Tormes, Espanha, aos 4 de outubro de 1582.
Escreveu bastante, felizmente. Seus livros são doutrina sólida de vida interior, caminho seguro para quem quer buscar a Deus. Seguindo os ensinamentos de Santa Teresa, chega-se à experiência do Senhor.
Cartastemos 468 cartas, mas afirmam ter escrito umas 15.000!
Livro da Vidacanta as misericórdias do Senhor em sua vida.
Caminho de Perfeiçãoorientações sobre a oração.
Castelo Interior ou Moradassua experiência mística.
Fundaçõesas aventuras de uma mulher corajosa.
Pensamentos sobre o Amor de Deusapontamentos de vida espiritual.
E outros escritos menores
João da Cruz
São João da Cruz nasceu em 1542, em data desconhecida, na vila de Fontíveros (Ávila). A família constava de pais e três irmãos. Pobres, mas felizes. A morte prematura do pai lança-os na miséria. Talvez tenha sido a moldura apropriada para a grande figura de místico e asceta que Deus queria oferecer ao mundo.
Aos 21 anos ingressou na Ordem Carmelita. Terminou os estudos, foi ordenado sacerdote em Salamanca, em julho de 1567. Nesse mesmo ano, verificou-se o histórico encontro com Teresa de Jesus. Ela, que procurava alguém para começar a reforma entre os frades, percebeu o valor daquele jovem e conseguiu conquista-lo. A 28 de novembro de 1568, já inaugurava ele, com mais dois companheiros, em Duruelo, o primeiro Convento de Carmelitas Descalços. Nota-se: na mais rigorosa pobreza.
Desempenhou cargos importantes, mas também sofreu muito. Fez jus ao seu nome, o grande amigo e cantor do sofrimento. "Sua personalidade vigorosa é fruto de uma profunda e harmoniosa unidade de qualidades humanas e espirituais. A aquisição realista da santidade confere suprema unidade e coerência à sua vida e à sua doutrina". Escreveu bastante. Mas, para ele, escrever também é tarefa de santificação própria e alheia. Só pretendeu o proveito espiritual do restrito número de pessoas a quem se dirigia, pois não visava ser profissional da pena. Escreveu quase sempre a pedido de outrem.
Suas principais obras são:
Subida do Monte Carmelo
Noite Escura
Cântico Espiritual
Chama viva de amor.
Suas cartas foram poucas e algumas se perderam.
Contam-se algumas poesias, poucas em número, mas primorosas. O impulso criador de seu gênio e o arroubo lírico de sua inspiração elevam João da Cruz, como poeta, ao expoente máximo da poesia mística.
Faleceu em Úbeda, a meia noite de 13 para 14 de dezembro de 1591, aos 49 anos de idade.

